
A falta de definição de uma política pública para a segurança pública é prova da omissão dos seguidos governos tucanos no Estado. Em apenas uma semana, 23 pessoas foram assassinadas na Baixada Santista e outras 12 foram feridas. Este é mais um dos tristes exemplos da onda de violência que toma conta do Estado de São Paulo.
O governador Alberto Goldman é acusado pela Procuradoria do Estado de se omitir na investigação dos homicídios no litoral. Para o procurador Antonio Mafezzoli, essa mortandade faz lembrar episódios ocorridos em maio de 2006, quando nove pessoas foram mortas em represália da polícia a ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo Mafezzoli, a polícia paulista está agindo como se os assassinatos praticados em diferentes cidades da Baixada Santista não estivessem interrelacionados.
A população da Baixada Santista São Paulo, está submetida a um regime de terror há quase dez dias, sem que a polícia do governo Alberto Goldman esclareça os motivos ou detenha os responsáveis pela explosão de violência.
Ironicamente, o ex-governador José Serra, só agora, depois de sair do governo paulista, diz que os governantes têm que entrar a “todo o vapor” na segurança.
Parece esquecer da situação em que deixou o Estado, com crescimento, em praticamente, todas as modalidades criminosas. Em 2009, 4771 pessoas foram assassinadas no Estado. O número de latrocínios na Capital também impressiona:
foram 100 casos, em 2009; no ano anterior, foram 69. Também em 2009, os registros de roubos superaram a marca histórica de 2003. Foram 257.004 casos, contra os 248.406 de 2003.
A violência prejudica diretamente a economia da região, com a fuga de turistas. O órgão do governo dos EUA responsável pela segurança de seus cidadãos no exterior recomendou (OSAC), em comunicado, que os norte-americanos “evitem viajar” para quatro das maiores cidades do litoral paulista –Santos, Guarujá, São Vicente e Praia Grande– até que a onda de violência da última semana esteja encerrada.
O descaso com a segurança está presente em várias situações. Em pleno Centro da cidade de São Paulo, por exemplo, há dois anos acontece uma “feira do rolo”, que vende aparelhos roubados e furtados, todos os dias, entre 17h e 22h, na Praça Lessa. Comerciantes e moradores estão aterrorizados com a ação dos vendedores, que comercializam eletrônicos, celulares, roupas com etiquetas de grifes e até armas de fogo. Todos artigos fruto de roubos e furtos.
Fonte Liderança do PT na Assembleia Legislativa
São Paulo tem média de 3 sequestros relâmpagos por dia
Registros mostram que vítimas são de classes sociais e idades variadas; zonas sul e oeste concentram casos
Camilla Haddad – O Estado de S.Paulo
A vendedora ambulante Leilane Souza, de 23 anos, e o empresário Silvio Fisberg, de 50, nunca se viram. Mas foram personagens de uma história que se repetiu em média três vezes por dia na capital paulista neste ano: o sequestro relâmpago. Entre 1.º de janeiro e 31 março houve 285 casos, segundo levantamento feito pela reportagem em delegacias de São Paulo. A última vítima foi o executivo Carlos Alberto Viviani, encontrado morto anteontem em rua ao lado do Shopping Cidade Jardim.
Boletins de ocorrência mostram que o sequestro relâmpago atinge pessoas de várias classes sociais e idades e afeta com mais frequência quem passa em bairros como Pinheiros, Alto de Pinheiros, Vila Madalena, Alto da Lapa (zona oeste), Moema e Jardins (zona sul). As vítimas são abordadas enquanto abrem ou fecham as portas de seus carros, ao celular ou simplesmente ao caminhar pelas ruas.
Sob ameaça constante, reféns são obrigados a fazer saques em caixas eletrônicos ou compras em shoppings. Para disfarçar, o suspeito dá as mãos para a vítima do sexo feminino, como ocorreu com uma bibliotecária de 61 anos, moradora da Granja Viana.
Nas ocorrências, um dado comum: as vítimas geralmente estão sozinhas, ficam sob a mira de revólveres, relatam ameaças de morte e quase sempre presenciam um motoqueiro acompanhando a ação. A primeira exigência do assaltante é o cartão bancário. É com ele que o criminoso saca quantias elevadas entre dois horários: pela manhã e à tarde.
Registro. Não se sabe se o número de casos aumentou ou não em comparação a 2009. A Secretaria da Segurança Pública não forneceu os dados. “São para uso interno e destinados ao planejamento do trabalho policial”, informou a pasta.
Até abril do ano passado, essa modalidade de crime podia ser registrada de três maneiras: roubo, extorsão mediante sequestro e roubo com retenção de vítima. Para pôr fim à confusão, em abril de 2009 entrou em vigor a Lei 11.923, que tipificou a conduta como crime de extorsão, cuja pena prevista (de 6 a 12 anos) supera a de roubo (de 4 a 10), tornando-o mais grave.
A PM afirma que esse crime é visto pelos infratores como fácil de cometer e rentável. Basta pegar uma pessoa, geralmente distraída num carro, ir a um caixa e sacar o dinheiro. Bandidos podem fazer várias ações num mesmo dia.
No 11.º Distrito Policial (Santo Amaro), o delegado titular, Armando Bellio, destaca uma peculiaridade de sua área: as vítimas costumam ficar com uma parte do bando em postos de gasolina. “O funcionário acha que a pessoa está parada e nem questiona”, diz. Enquanto isso, outro ladrão faz o saque.
O psiquiatra Felipe Corchs, do Hospital das Clínicas e do Núcleo Paradigma, conta que, mesmo após irem para a casa ilesas, as vítimas desenvolvem o chamado estresse pós-traumático. O transtorno requer tratamento e, em alguns casos, remédio.
PRESTE ATENÇÃO
1.Os assaltantes raramente atuam sozinhos. Pelas características dessa modalidade de crime, a Polícia Militar aponta que há a participação de pelo menos duas pessoas, sendo mais comum a prática de sequestro relâmpago por três homens
2. Enquanto um ou dois ladrões dominam a vítima (mulher ou homem geralmente sozinhos), um terceiro fica com a “função” de efetuar os saques, muitas vezes utilizando moto. Segundo a corporação, a abordagem policial a motociclistas perto de caixas eletrônicos ajudou em algumas prisões
3. As vítimas são interceptadas pelos ladrões quando estão em seus carros ou paradas no trânsito. Há casos em que foi observada a abordagem de cidadãos a pé
4. Os assaltantes não condicionam sua escolha a status social. Podem atacar pessoas ricas e pobres, pois existe limitação para saque nos caixas, o que, de certa forma, nivela a classe social das vítimas pegas
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