Filme foi escolhido para representar o Brasil na premiação em 2010.
Produção fala sobre ataques de facção criminosa a SP em maio de 2006.
"Salve geral" estreia nos cinemas brasileiros no dia 2 de outubro. O filme é protagonizado pela atriz Andréa Beltrão e foi inspirado nos ataques de maio de 2006 a cidade de São Paulo comandados por integrantes de uma organização criminosa contra policiais nas ruas e dentro do sistema penitenciário.O longa teve cenas gravadas no interior de São Paulo, em Campinas e Paulínia, além de sequências na capital paulista, no Rio de Janeiro e em Foz do Iguaçu.
Produção de R$ 9 milhões, o filme dirigido por Sérgio Rezende mostra a história de uma professora de piano cujo filho está preso nos dias que antecedem a confusão. A revolta é motivada pela situação degradante dos presídios.
"Salve geral" será o representante do Brasil a concorrer a uma vaga no Oscar 2010. Os cinco indicados que concorrerão efetivamente à categoria de filme estrangeiro serão anunciados em 2 de fevereiro do próximo ano.
Ex-governador de SP discorda de acordo com facção mostrada em filme

'Salve Geral', que retrata ataques de 2006, estreia em 2 de outubro.
Lembo viu trailer e disse que só autorizou visita de advogada a criminoso.
Então governador de São Paulo durante os ataques de maio de 2006, Claudio Lembo afirma ainda não ter visto o filme "Salve Geral", que trata das ações da facção criminosa que agia dentro dos presídios paulistas. Mesmo assim, após assistir ao trailer do longa-metragem brasileiro a convite do G1, ele afirma que a história contada pelo cineasta Sergio Rezende erra ao informar o público de que houve "acordo" entre o governo estadual e as lideranças do grupo (que aterrorizou a maior cidade do país naquele Dia das Mães) para cessar os ataques nos dias seguintes."Eu nego que esse acordo tenha acontecido. Ao menos, nunca conheci esse acordo na posição de governador. Dei autorização para a advogada [do Marcos Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe da facção] ir até [a penitenciária de Presidente] Venceslau", disse Lembo, na sexta-feira (18), em seu gabinete na prefeitura de São Paulo, onde é secretário de Negócios Jurídicos.
"Nunca houve acordo nesse período. Se houve foi à revelia do Palácio dos Bandeirantes", afirmou o ex-governador Lembo. "Ninguém acredita nisso, todos os jornalistas: 'mas e o acordo?' Mas que acordo? Não houve acordo nenhum. O acordo que morreu um monte de gente? Não houve. Não é acordo. O governo não faz acordo com bandido. O governo que fizer acordo com bandido deixa de ser governo."
Coincidentemente, os ataques cessaram após a visita da advogada ao chefe da facção. Ela foi para o presídio num avião da Polícia Militar, acompanhada por oficiais. O secretário de Administração Penitenciária de São Paulo naquela ocasião, Nagashi Furukawa, também negou acordo por parte do estado, mas afirmou ter havido encontro entre representantes do governo e Marcola. E admitiu que crimiminosos apresentaram condições para pôr fim aos ataques.
Entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, membros da facção atacaram bases da PM, agentes das forças de segurança do Estado e incendiaram ônibus nas ruas de São Paulo: 493 pessoas foram mortas por armas de fogo. Desses mortos, 109 eram criminosos ou suspeitos de reagirem à prisão. Oitenta e nove foram mortos por pessoas não identificadas, com indícios de execução. Além disso, foram 46 agentes públicos assassinados nos ataques. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo. De acordo com Lembo, os ataques teriam começado após a remoção de mais de 760 integrantes de facção criminosa ao presídio de segurança máxima em Venceslau e a saída de presos em regime semiaberto durante o Dia das Mães, quando ocorreram os atentados.
Repercussão
O ex-governador também criticou o modo como a televisão repercutiu naquela segunda-feira de maio de 2006 os atentados do fim de semana. Ele reclama que as imagens foram mostradas como se fossem ao vivo. Na avaliação de Lembo, isso só serviu para aumentar a sensação de medo.
"A única violência que teve na segunda foram as das televisões. As TVs mostravam no ar imagens de sexta-feira e sábado, dizendo que eram ao vivo. O dia inteiro. Aí, criou a crise na sociedade, aquele problema de psicologia social. Eu acho que é uma grande lição para todos", disse Lembo, que afirmou não ter sido ouvido por ninguém do filme para falar dos ataques.
Com uma produção de R$ 9 milhões, "Salve Geral - O Dia em que São Paulo Parou" foi anunciado também pelo Ministério da Cultura como o longa brasileiro que irá disputar uma das cinco vagas na categoria "melhor filme estrangeiro" na premiação da Academia, que acontece em 7 de março de 2010, em Los Angeles.
Salve Geral estreia no dia 2 de outubro. No dia anterior, uma quinta-feira, deve começar na capital paulista o julgamento dos principais chefes da facção, Marcola e Júlio César de Moraes, o Julinho Carambola, estarão no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste. Eles serão julgados como mandantes do assassinato do juiz-corregedor de presídios de Presidente Prudente, Antônio José Machado Dias, em março de 2003. Os dois acusados estão presos na penitenciária de segurança máxima de Presidente Venceslau.
Comentario do Blog
Na verdade, o que ocorreu na época foi mesmo por conta de uma disputa política mesquinha. Ou seja, de um lado o secretario de segurança truculento e arrogante (Saulo de Cadastro, Do outro um secretario fraco (Nagashi Furukawa), mas com idéias que não pode implantar porque havia muita oposição ao seu modelo administrativo.
Contudo, revolta do PCC foi motivada pela situação degradante dos presídios paulista, mas o maior estopim da crise foi mesmo uma série de transferências e interrogatórios de presos importantes que irritou o PCC em um Estado governado por autoridades incompetentes. Na época O ex-governador Cláudio Lembo acredita que a Polícia Militar evitou a eclosão de uma guerra civil em maio de 2006 Disse ele:
“Foi um episódio muito concentrado em razão de como se encontrava o sistema penitenciário. Aquilo começou no interior das penitenciárias e veio para as ruas. E não foi só a quadrilha, foi a quadrilha e outras variáveis. A pobreza, enfim, tudo. Foi um problema social”.
Não foi segredo para ninguém que o acordo foi mesmo firmado entre o principal líder do PCC, Marcola, e a cúpula policial paulista para cessar os atentados promovidos pela organização criminosa. Todos os jornais publicaram na época que a onda de violência deflagrada resultou em 162 mortes. Portanto, a pergunta inevitável que se faz hoje é a seguinte: isso pode ocorrer novamente?
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